O QUE É FICÇÃO

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O livro “O que é ficção” da professora Ivete Walty inicia com um pequeno questionamento: “Aí não tem ficção?”. Com o exemplo da criança que não entende o termo ficção e o relaciona com os discos voadores das histórias contadas pelos adultos, a autora justifica o interesse e a necessidade de se refletir a relação entre realidade e ficção; e a função da ficção em nossa sociedade.

No segundo excurso a autora distingue três acepções de ficção: a) ficção científica - “narrativas geralmente verbais ou fílmicas, cujo enredo se baseia no desenvolvimento científico e nas situações decorrentes de tal desenvolvimento no tempo e no espaço”. Nesse sentido cita alguns livros e filmes que durante a época de sua elaboração visualizam um futuro mais moderno: Vinte mil léguas submarinas, Admirável mundo novo, 1984... b) ficção ligada a arte (pintura, literatura, teatro, cinema...); cita Platão e diz que ele considerava a arte inferior às outras manifestações do conhecimento, já Aristóteles reconhece a importância da arte e até sua superioridade em relação à ciência. “Ficção seria, pois, criação da imaginação, da fantasia, sem existência real, apenas imaginária”.

No terceiro capítulo a partir de outro questionamento: “A realidade da ficção ou a ficção da realidade?”, cita uma passagem de um texto de Machado de Assis no qual um pássaro vive preso e depois por meio de um homem que o compra descobre aos poucos a liberdade. Com isso, a autora demonstra que “a visão de mundo das pessoas varia de acordo com o lugar que cada uma ocupa no espaço geográfico, social, econômico etc. Depois lembra uma discussão realizada entre ela e um senhor sobre ricos e pobres. Para o senhor os pobres só existiam devido aos ricos, pois os ricos ofereciam empregos aos pobres. Posição essa contrária a da autora. Para ela, os pobres é que sustentam os ricos através da sua força laboral (nessa perspectiva cita Marilena Chauí retomando Marx e Althusser, para assim, discutir a questão do domínio ideológico. E a partir daí perguntar mais uma vez: “Onde está a ficção? Como vivemos com ela?”. E ainda discutir a questão do simulacro em Platão e Deleuze. “Deleuze faz a chamada reversão do platonismo, quando salienta que a função do simulacro é subverter a ordem hierárquica de modelo, cópia e simulacro, mostrando que tudo é simulacro, tudo é representação, ou seja, tudo são sombras. O fato de existir o simulacro nos permite discutir a legitimidade tanto do original como da cópia”.

No texto “Uma faca de dois gumes”, a autora discute a função dos termos ficção significando criação e do termo produção que é o oposto, repetição. Dentro desse contexto, mais adiante ela enfatiza a função da ideologia dominante e relaciona o comportamento das pessoas ao senso comum: “Pessoa de bom senso é a pessoa que age de acordo com a ideologia dominante, as outras são loucas, sonhadoras, irresponsáveis, preguiçosas etc.

Depois nesse mesmo capítulo a autora recorre a Freud (id, ego, superego) e Marcuse (mais-repressão) para explicar os mecanismos de controle das sociedades industrializadas e assimila Marx para dizer que “o trabalho do qual homem não retira nenhum prazer é a maior forma de controle do princípio da realidade nesse tipo de sociedade”. Segundo a autora Freud mostra que o princípio do prazer é resgatado através da fantasia. “Aí é que está a faca de dois gumes: o sistema sabe se aproveitar também dessa necessidade de fantasia do homem”.

Através da análise do discurso tele-novelístico e do cinema a professora Ivete demonstra que a dominação ideológica se faz também nos momentos de descanso por exemplo pelo bombardeio publicitário durante o que é exibido na T.V. “Essa ficção mata aquilo que deveria ser sua essência, a magia, a poesia, a criação, e instaura o senso comum, o bom senso”. “Usa-se a necessidade de prazer, de fantasia para se impor a repressão, a verdade oficial”.

Então, pergunta mais uma vez a autora: “Seria a tão decantada arte uma saída?”. Faz assim uma comparação entre a arte que está associada ao conhecimento racional, imune às emoções: “A ficção pode ser a saída, a libertação, a absoluta denúncia ou a reduplicação do real a que está submetida”.

Na metade do livro a autora propõe que “passemos a ler o mundo tanto o dado como real, como o dado ficcional, e procuremos abalar os limites que dividem os dois”. Ao final do capítulo “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come” a autora lembra que: “o texto ficcional é o simulacro, a potência que nega tanto o modelo quanto a cópia, logo, é preciso olhá-lo como parte integrante do viver humano...”.

Seguindo em “De textos e textos”, discorre a importância do discurso mítico: “É importante ressaltar que as personagens míticas integram nosso real de forma efetiva”. Descreve sobre o texto onírico (os sonhos): “enriquecedor é considerar o sonho como um texto produzido por nós, em que nós atuamos e vemos atuar a sociedade”. Ainda considera que nós mesmos somos textos a sermos lidos, sujeitos a várias leituras. A palavra personagem vem de persona, máscara grega utilizada na representação das tragédias e comédias. Somos personagens sociais. Logo após a autora faz uma análise sobre a literatura e segundo ela “constatamos que todos os critérios utilizados para se conceituar literatura são relativos, e devemos lidar com eles como operadores para efetuar a leitura dos textos e a leitura do mundo, cientes de sua relatividade”.

Após a análise dos discursos marcados pela ficcionalidade, pela representação, pela criação a professora propõe a análise dos discursos que têm o estatuto de verdade. Então começa pelo discurso histórico. O que é história? Discorre que: “A história escrita nos livros, ensinada nas escolas é, geralmente, a versão oficial que interessa ao Poder, logo, reproduz o interesse da ideologia dominante. Os indivíduos esquecem-se que são os sujeitos da história, limitam-se a desempenhar o papel de objeto. A autora cita Guimarães Rosa: “a estória não se quer história. A estória, em rigor, deve ser contra a História. A estória, às vezes quer-se um pouco parecida à anedota”.

Assim, os textos histórico, jornalístico e publicitário envolvem elementos de diferentes ordens: a ideologia do órgão emissor, do patrocinador, o tipo de público etc. “As imagens são vibrantes, o som convidativo e as palavras sedutoras”. Através desses discursos criam-se ambientes de competição, e você quer exibir o seu Poder de compra, seduzir outras pessoas.

No último capítulo “Cada coisa em seu lugar, cada macaco no seu galho”, a autora argumenta que “nossa sociedade se estabelece sobre uma cisão, sobre um corte, uma ruptura: a separação entre o saber e o fazer”. A história fica sendo algo muito distante de cada cidadão (o discurso verdadeiro, intocável, irrefutável). Na escola, ensina-se a norma culta da língua, a língua da classe dominante, ensina-se a matemática, a física, a química etc. Como coisa feita, preestabelecida para atingir os objetivos da classe dominante. O aluno que não se adequa a tais ensinamentos é chamado de burro, ignorante, incapaz, desajustado, problemático; é sufocado, massacrado”.

Assim a ficção “é uma forma de saber, de Poder e se chegar a ameaçar o sistema ele a exclui ou assimila. Assim, um discurso-denúncia pode ser esvaziado, neutralizado como se desativa uma bomba que pode destruir tudo o que se encontra à sua volta”. “A ficção é um discurso tão digno de crédito como outro qualquer, porque, como qualquer outro, ela faz uma leitura do real. Reduplicadora ou contestadora, não importa, mas uma leitura tão confiável quanto a da ciência ou da história”.

Ivete Walty termina o seu livro com a seguinte afirmativa sobre a ficção: “Narrativa verossímel ou absurda, não interessa, o que importa é o real re-velado por ela, e, mais ainda, sua atitude crítica enquanto leitor, ouvinte ou espectador.

DÚVIDAS SOBRE O IMAGINÁRIO

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No livro “Dúvidas sobre o imaginário”, o filósofo Gilles Deleuze discorre sobre a diferença, o paradoxo existente entre o cinema do pré-guerra e do pós-guerra. Segundo Deleuze, existem algumas características que identificam as transformações ocorridas nos filmes antes e depois da Segunda Grande Guerra Mundial. Dessa maneira, cita como exemplo o modelo do cineasta soviético Serguei Mikhailovitch Eisenstein: “Einsenstein fez desse circuito imagem-todo, onde um relança o outro: o todo muda ao mesmo tempo em que as imagens se encadeiam. Ele invoca a dialética”. Percebemos com essa citação que, além de uma análise filosófica da linguagem cinematográfica, Deleuze analisa também as técnicas utilizadas por essa indústria. Ainda comenta que a Teoria Eisensteiniana corresponde a um modelo que representa uma Totalidade Aberta e isso significa que procura dessa forma relações comensuráveis ou cortes racionais entre as imagens, na própria imagem e entre a imagem e o todo. Segundo o autor, Eisenstein primava pelo visual fazendo do sonoro uma nova dimensão, uma quarta dimensão admirável que complementava o restante da arte cinematográfica. Esse modelo buscava assim uma dialética entre a Interiorização e a Exteriorização, numa relação de desenvolvimento da mudança do todo e, consequentemente, do encadeamento das idéias que na prática corresponde à relação plano-montagem. Segundo Deleuze, Eisenstein ainda montava seus raccords de acordo com o número de ouro. O número de ouro ou razão áurea ( - Phi) é um número irracional misterioso e enigmático que nos surge numa infinidade de elementos da natureza na forma de uma razão, sendo considerada por muitos como uma oferta de Deus ao mundo, equivalente ao valor de:

Já o cinema pós-guerra, Deleuze acredita ser um cinema sem maiores preocupações com a racionalidade, pois esse cinema rompe com o modelo da Totalidade Aberta, fazendo emergir todos os tipos de cortes irracionais, de razões incomensuráveis entre as imagens (signos). Deleuze então explica que os falsos raccords se tornam a lei. E se dessa maneira os cortes irracionais se tornam essenciais, ocorre então uma inversão de valores na arte cinematográfica: “o essencial não é mais a imagem-movimento, é antes a imagem-tempo”. Sendo assim, o cinema falado do pós-guerra vai em direção a uma autonomia do sonoro; para um corte irracional entre o sonoro e o visual. “Não há mais totalização, porque o tempo já não decorre do movimento para medi-lo, porém se mostra nele mesmo para suscitar falsos movimentos”.

Mas segundo Deleuze, essa diferença dos modelos pré-guerra e pós-guerra não se faz tão importante, pois o cinema terá quantos modelos forem necessários de acordo com a época, a História, seus ritmos etc. O que importa para Deleuze são as ressonâncias. Fazendo uma comparação com a Filosofia, Deleuze explica que tanto o cinema quanto a Filosofia possuem trocas mútuas independente de qualquer primado geral. Para Deleuze, a relação cinema-filosofia é a relação imagem-conceito. E, de forma dialética, as imagens e o conceito se formam e se modificam. Por exemplo: “o cinema tentou entender como funcionam os mecanismos do pensamento, mas ele não é nada abstrato para isso, ao contrário”.

Deleuze responde ainda em suas palavras sobre o imaginário algumas questões sobre as Ideias. Para ele, as ideias não são mais que instâncias que se fazem nas imagens, nas funções e nos conceitos. As imagens se fazem signos. Segundo Deleuze, o cinema é como se fosse um passo de mágica, pois primeiramente o cinema é imagem-movimento, e nem sequer existe uma relação entre imagem e movimento, mas o cinema cria o automovimento da imagem. Então, o que interessa realmente, não é visualizar se o cinema tem uma pretensão de entendimento do universal, mas sim do singular. Pois a imagem, o signo, se define pelas suas singularidades, tanto nos cortes racionais da imagem-movimento quanto nos irracionais da imagem-tempo.

Continuando a discorrer acerca das dúvidas sobre o imaginário, Deleuze questiona se o imaginário é um bom conceito. Para ele existem dois pares de conceitos fundamentais para a compreensão do cinema: “o real e o irreal” e o “verdadeiro e o falso”. Como exemplo cita o fenômeno cristalino, no qual existe uma troca entre o límpido e o opaco. É preciso discernir sobre esses conceitos e o discernimento surge a partir do momento em que enxergamos que “o falso não é um erro ou uma confusão, mas uma potência que torna o verdadeiro indecidível”.

Sendo assim, o imaginário está na encruzilhada entre esses dois pares, pois o imaginário é a indiscernibilidade entre o real e o irreal. Ainda para o filósofo, o imaginário é um conjunto de trocas. Imaginar é fabricar imagens. Deleuze não acredita numa especificidade do imaginário, ele acredita, respectivamente, num regime orgânico das imagens que corresponde à imagem-movimento, um modelo de verdade; e em outro regime cristalino que substitui o modelo de verdade pela potência do falso como devir. Com relação a esses aspectos exemplifica citando Nietzsche: “Nietzsche é o exemplo de um discurso filosófico que se precipita em num regime cristalino, substituindo o modelo verdadeiro pela potência do devir, a organização por uma vida não orgânica, os encadeamentos lógicos pelos reencadeamentos páticos, libertinos (aforismos)”. Portanto Deleuze considera através de suas análises que, o que pretende na verdade não é uma análise do imaginário, mas uma análise do regime de signos num sentido taxonômico, uma classificação das imagens e ou dos signos.


DELEUZE, Gilles. Dúvidas sobre o imaginário. Rio de Janeiro: Editora 34, 1992.

SAI DO AR "JOGO DURO" E ENTRA "NO LIMITE"!

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No limiar da contemporaneidade os programas de T.V. baseiam-se nas mais diferenciadas histórias fictícias, narrativas gráficas (mais conhecidas como histórias em quadrinhos) e porque não dizer nas mais variadas epopeias da nossa “renomada literatura ocidental”. Como na “Ilíada” ou na “Odisseia” de Homero, como na “Eneida” de Virgílio ou ainda na “Jerusalém Libertada” de Torquato Tasso os diretores televisivos de hoje guardam em seu Imaginário a histórica vontade de domínio do Ocidente sobre o Oriente. Baseados em nossa História literária e científica escrevem ao “Deus dará” simplesmente para ganharem quantias significativas e se enriquecerem as custas do pensamento do povo dominado laboral, cultural, e intelectualmente.

Como já diria o grande Karl Marx, nos momentos de descanso os trabalhadores seriam também domesticados, além da exploração da sua força de trabalho seus pensamentos serviriam como uma extensão do processo produtivo do capital. Através do que Marx denominou de mais-valia relativa, em seus momentos de descanso os homens gastariam seus míseros salários com as inóspitas e concedidas diversões. Hoje a diversão capitalista se consolidou e o que fazemos ao chegar em casa após as duras jornadas de trabalho? Assistimos as “belas” (rsrsrs) produções novelísticas, assistimos os aventurosos reality shows. Aos domingos o cardápio se torna um pouco mais variado, tamanhas são as diversões “capitalísticas”: programa do Sílvio Santos (quem quer dinheiro?), programa do Faustão, Fórmula 1, campeonatos de futebol do mundo inteiro, e por aí vai!

Durante as quintas e domingos anoite o programa “NO LIMITE” vem fazendo o maior sucesso como em edições anteriores. Jovens bonitos, jovens charmosas, corpos “sarados”, geralmente bem sucedidos, os participantes apresentam um certo status quo. Esses são os heróis construídos pela “Indústria Cultural” ocidental (que infelizmente de algum tempo pra cá também invade o Oriente). Numa mistura de realidade e fantasia as empresas de T.V. invadem nossas vidas, nossos momentos de descanso e nos tornam também em produtos; nós e eles (os participantes) somos os produtos. Dignidade não é mais um termo que cabe em nossa axiologia, em nossos valores. Perdemos a dignidade, o respeito por nós mesmos, pois, a moeda, o sucesso, sempre é mais importante. Nosso Ego se entregou totalmente, não lembramos que somos seres humanos. Somos super-heróis (rsrsrs), vivemos sempre “NO LIMITIME”.

Daí o Imaginário que poderia nos libertar das imposições do dia a dia se torna em Ideologia e a ideologia é cruel, nos tira da realidade e nos coloca impossibilidades de transformação, nesse momento nos vemos presos em nossas próprias casas, em nossas próprias mentes. Então é preciso parar e pensar: realmente vivemos o real? O que seria o real? Todos somos sarados, bem sucedidos, não enfrentamos problemas cotidianos? Já não temos tempo e nem espaço para o diálogo familiar, preferimos “descansar” (rsrsrs) em frente aos televisores. Já não nos encontramos nas praças como os nossos pais e avós, nos encontramos na Lan House ou nos Cybers Café. Então na verdade nos encontramos com as máquinas, conversarmos com as máquinas.

Assim o sonho de dominação e unilateralismo ocidental vem se constituindo com tamanha força...!
Mas nunca se esqueçam: temos que viver sempre “NO LIMITE”

Continua...

Por Marlon Nunes.

PROGRAMA TELEVISIVO "JOGO DURO"

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Mais uma vez nos deparamos diante um novo programa de televisão: “Jogo Duro”. Programa realizado pela empresa Globo Comunicação e Participações S.A., nos moldes dos já conhecidos reality shows tipo Big Brother. Num universo de competição, termos como “jogo”, “eliminado”, “perder”, “ganhar” são utilizados com frequência. Os participantes (jogadores) se desafiam em busca de notas de dinheiro e o competidor com o menor valor conseguido é “eliminado do jogo”. Os ambientes são recheados de animais de todos os tipos: pequenas aves (pombos), insetos (baratas, escorpiões...), anfíbios (sapos), répteis (cobras) etc (nessas horas onde estarão as associações defensoras dos animais?). Além disso, os ambientes apresentam alguns outros chamados níveis de dificuldade: água, tubulações, grades, tambores. A ação e os instintos são colocados à prova em busca de dinheiro.

O apresentador Paulo Vilhena interpreta um personagem líder, com vestígios de malvadeza. A submissão às imposições do líder ficam evidentes quando ele no instante da eliminação diz: “quem roda é tal jogador”.

Contrariamente ao espírito de uma razão emancipadora em relação às imposições do capital, vemos a submissão do ser humano, mais uma vez em busca de dinheiro.
O vencedor do programa leva toda a “bolada”; recebe a quantia que todos os outros competidores arrecadaram durante todo o jogo.

O programa é mais uma das armas utilizadas pelo Poder econômico para a progressa dominação ideológica das massas já tão fragilizadas e flageladas. Dominação que se beneficia muito bem do Quarto Poder (ou primeiro?), o Mass Media, para otimizar sua capacidade de manipular a opinião pública e ditar regras para a sociedade.

Patrocinadores: coca-cola...

Continua...


Por Marlon Nunes

O DESCANSO

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Parece uma festinha de criança
adocicada e singela
uma espécie de orquídea
dos vales mais profundos
e umedecidos
mas na caminhada pelos montes
a dor se faz e desfaz
quando ao fim se descobre
o mais sublime dos sentimentos
o olhar contínuo para o horizonte
fixa a ideia de que talvez
possa ainda, te sentir por dentro
de uma cúpula onde
estaríamos presos
e sem pensar em nada
veríamos o mundo apenas
pela transparência dos vidros
e pela camada mucosa
que faz e "trans" faz
pela globalização de nossas razões
e pela vontade despercebida de continuar
a atrasar o tempo
para vivermos mais e intensamente
todos os desejos de felicidade
e prazer
que encontramos no conhecer
a nós mesmos
em poucos instantes
de transcendência inóspita
entre murmúrios de dor e prazer
as ondas da T.V, as músicas joviais
e os jogos de amor
se deixam levar para as maiores distâncias
que nenhuma escala geográfica possa desvendar
o fim eterno de seu pomo adormecido
e seu peito entre o meu
ceifeiro de dores e amores
meio a meio
sem completude
a de se chegar ainda a algum lugar
ou caminhar até que nossas pernas não aguentem mais
e a barba cresça
e os olhos vejam as trêmulas mãos
sentados em redes nas varandas e garrafas
a beira mar
cheirar seu cabelo
e aromatizar meu coração
nada mais desejo
somente descansar...

Marlon Nunes

O CÍRCULO

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E nasce o Sol e põe-se o Sol
E volta ao seu Lugar, de onde Nasceu
O Vento vai para o Sul e faz seu Giro
Para o Norte, continuamente vai girando o Vento...
E Volta fazendo os seus Circuitos
Ribeirões vão par ao Mar, contudo, o Mar não se Enche
Todas estas Coisas se cansam tanto que Ninguém o Pode declarar
Os Olhos não se fartam de Ver, nem, os Ouvidos de Ouvir
O que Foi é o que há de Ser
E o que se Fez, se Tornará a Fazer
Nada há de Novo Abaixo do Sol
Já não há Lembrança das Coisas que precederam
Das Coisas que serão também não haverá Lembrança
Enfadonha Ocupação
Apliquei meu Coração a conhecer Sabedoria, Desvarios e Loucuras
E vim a Saber que isso também era Aflição
Muita Sabedoria há muito Enfado
O que aumenta em Ciência, aumenta em Trabalho.


Marlon Nunes

Cidany

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Querem saber de uma coisa:
Que se dane,
A Arte,
A Filosofia,
A História,
A Geografia.
Junto com todo o conhecimento mecânico
Que paralisa a vida
Não é preciso saber de mais nada.
Estudar só faz decepcionar.
Para que saber e se entristecer.
É preciso sorrir como um matuto,
Feliz ao caminhar pelas trilhas de um campo florido.

Querem saber de uma coisa:
Que se dane o sentimento e a racionalidade.
Chega de pensarmos e de criarmos,
Isto nos trouxe infelicidades e desgraças.
Vamos apenas plantar e comer.
Amar e morrer, nada mais.
Querem saber de uma coisa:
Que se dane,
A cultura intelectual
Que nos faz soberbos
E inúteis.

Não devemos pensar em criar,
Devemos apenas amar, comer e cagar.

Não se assustem,
Mas que se dane.



Marlon Nunes

WTCs* parte 2 ou TEORIA DA CONSPIRAÇÃO

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Os aviões colidiram
Nas torres gêmeas
O terror tomou conta
Da liberdade econômica

E em nome de Deus,
Mais mortes foram creditadas
Nas portas do céu e do inferno
Quem diria, o Poder material em cheque.

Digamos apenas que:
O mercado exige
Capital de giro, então
Nada melhor que conspirar

Contra o próprio Estado
Para conseguir
Continuar a hegemonia econômica
Era preciso conspirar

Era preciso destruir
Um símbolo
E assim, motivar
Invasões no Oriente

Em no nome de Deus
Mais mortes foram creditadas
Nas portas do céu e do inferno
Afeganistão, Iraque...!

Poços de petróleo
Reconstrução
Nada melhor que conspirar
Para gastar

Armamentos e cimento,
Aço e manganês
O negócio mesmo é conspirar
para aliviar a bolsa

Valores, valores, valores
$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$[
$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$]
$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$]
$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$]

Vamos conspirar para dominar
invadir e matar


Vamos conspirar para controlar
a economia mundial

Vamos conspirar para conquistar
mais mercados

Vamos conspirar para materializar
nossas ideologias

Vamos conspirar para levar
o livre arbítrio

Vamos conspirar para continuar
a sermos a potência econômica

Vamos conspirar para salvar
a liberdade luterana

Vamos conspirar para expandirmos
o protestantismo

Go! Yankees

Em nome de Deus

Go! Yankees

Em nome de Deus

Go! Yankees

Vamos, espalhar a glossolalia.
E falar em línguas.
O pentecostalismo.
O Espírito Santo.

Quadrados... quadrangulares da Quadrangular!
Batidos... batistas da Batista!
Uniformizados... Universais da Universal!
E no Sétimo Dia, o descanso merecido
Após invadir residências e matar
Várias famílias árabes.

Configura-se realmente que:
Os demônios descem do norte.

WTCs* ou SALVEM OS GREGOS

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Mais que voar
É preciso nadar
Contra as correntes
Para quebrá-las
E acabar com os sonhos
De Sócrates e Platão
De nos prender nas cavernas
Da individualidade
E comodidade metafísica

Pobres platônicos
Seres superiores
Seres cavernosos
Seres eróticos

Oh! Santos gregos,
Oh! Divinos deuses,

Correntes da racionalidade
Desçam de seus cavalos e suas torres
Soberba, o vinho dos banquetes
Sarcástica putaria grega
Tornou-se real, tornou-se cap"e"talismo

Destruam os seus WTCs
Sem padrões para a ciência
E vivam na pós-modernidade
Sem patrões nas cons-ciências

Destruam os WTCs
Enalteçam o Bin Laden
Destruam a razão grega
Destruam os drive thrus
Destruam os MacDonalds

BOOM! World Trade Center!

*World Trade Centers

NADA É IMPOSSÍVEL DE MUDAR

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Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.

Bertold Brecht

HOMENAGEM AO TRABALHO ÁRDUO

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As putas são maltratadas
e as cadelas não.
Imaginem se não fossem as putas...!
Até nossas mães seriam estupradas.
Puta que pariu!

Marlon Nunes